Jornalista profissional que também atua como entregador expõe a “ditadura do score”, com punições injustas por evitar áreas de conflito, descaso no Consumidor.gov e a realidade de quem encara 11 horas de rua para vencer o castigo do App.
Por: Marcelo Berlinski (FENAJ 0035157/RJ)
O que acontece quando um algoritmo decide que a sua integridade física vale menos que uma taxa de entrega? Esta é a pergunta que o iFood se recusa a responder. Após semanas de uma batalha silenciosa contra punições arbitrárias, o portal Motovlog Sem Filtro traz a público o dossiê que a gigante do delivery tentou enterrar em respostas automáticas e frias.

1. A Armadilha da Segurança: O Impasse no Suporte
A crise teve início durante uma rota dupla iniciada com coleta em Ipanema. Após realizar a primeira entrega com sucesso no Leblon, por volta das 23h30, preparei-me para seguir rumo ao segundo destino, na Tijuca. Até aquele momento, eu não conhecia a localidade específica, mas, ao dar saída, o sistema de navegação Waze emitiu um alerta crítico de área com alto índice de crimes ao identificar a Rua São Miguel.

Imediatamente, realizei uma pesquisa complementar no Google, que confirmou o perigo extremo daquela rua específica, com registros de violência que tornavam a entrega inviável naquele horário.

De posse dessas informações e ainda no Leblon, entrei em contato com o suporte do iFood relatando os fatos. Como as provas abaixo demonstram, solicitei repetidamente a geração de uma rota de devolução do produto, deixando claro que não pretendia ficar com a mercadoria, mas sim devolvê-la com segurança.
Para reforçar a gravidade da situação, localizei uma notícia recente e contundente da Rádio Tupi, detalhando ocorrências graves de violência exatamente na Rua São Miguel. O relato da emissora, uma das mais respeitadas do Rio, tira qualquer dúvida sobre o risco de vida envolvido naquela entrega tarde da noite.

De posse dessas informações e ainda no Leblon, entrei em contato com o suporte do iFood relatando os fatos. Como as provas abaixo demonstram, solicitei repetidamente a geração de uma rota de devolução do produto, deixando claro que não pretendia ficar com a mercadoria, mas sim devolvê-la com segurança.

A resposta da plataforma, no entanto, foi o encerramento unilateral e abrupto do atendimento. Sem oferecer solução ou ouvir os argumentos de segurança, o suporte “bateu a porta” na cara do entregador, deixando-o à própria sorte com o pedido em mãos e a punição a caminho.

2. Duas Semanas de “Castigo” e Prejuízo Real
O impacto veio dias depois: uma queda forçada para o Score 2. Durante duas semanas, cumpri plantões de 11 horas consecutivas na rua para conseguir realizar apenas 15 entregas, um reflexo direto do “castigo” imposto pelo algoritmo.

3. Vitória por Mérito: A Manutenção do Status “Entregador Super”
Hoje, apresento com orgulho o meu retorno ao Score 3, mantendo com muito esforço o status de Entregador Super. É importante que fique claro: essa permanência no topo não foi um reconhecimento de erro por parte do iFood ou uma concessão da plataforma. Pelo contrário, foi fruto exclusivo de um esforço sobre-humano de produtividade para “limpar” uma mancha injusta que quase me custou o status de excelência que conquistei com meses de dedicação. A plataforma lucra com a nossa resiliência enquanto lava as mãos para a nossa integridade física.

4. Ação Judicial e a “Vacina” contra o Silêncio
Este caso não termina em um post. O processo judicial 0802607-57.2026.8.19.0253 já está em curso para que a justiça seja feita. Antecipamos que esta denúncia é de interesse público e qualquer tentativa futura de silenciar este relato através de pedidos de “segredo de justiça” será tardia, pois o compromisso deste portal é com a verdade e com a segurança da categoria. O caso será levado ao conhecimento das entidades de classe, reforçando que não aceitaremos ser tratados como peças descartáveis em um sistema que ignora o valor da vida.
A segurança não é um bônus, é um direito. O iFood pode controlar o código, mas não calará a nossa voz nas ruas e nos tribunais.
